Alan James estreia sua sonoridade setentista em projeto solo; Ouça o álbum “Despertar”

Alan James estreia sua sonoridade setentista em projeto solo; Ouça o álbum “Despertar”

O cantor e compositor Alan James destila uma série de influências em sua mais nova empreitada da carreira. O debut solo “Despertar” traz faixas com referências aos anos 60 e 70, lembrando músicas de grandes nomes nacionais e internacionais, de Clube da Esquina a Beach Boys. O disco é um lançamento via selo Discobertas, está disponível nas plataformas de streaming e em breve será disponibilizado em formato físico.

“Despertar” é símbolo de um recomeço da carreira de Alan James. O álbum reúne sonoridades que somaram à bagagem musical do artista, resultando em um registro consistente de músicas de arranjos encorpados, com belas composições em português. O cenário musical brasileiro ganha mais um talento, consolidado no lançamento de seu primeiro trabalho autoral.

“Sempre quis fazer um álbum solo. Depois de discos e EPs com outros projetos como artista, compositor, músico, produtor e arranjador, só agora aos 34 anos embarco nessa jornada, porém ao lado de grandes amigos, sendo que alguns deles estão ao meu lado não apenas nesse disco, e também futuramente nos palcos, mas na vida”, transparece ele.

Alan James apresenta no disco um som contemporâneo, sem deixar de lado as referências de épocas prestigiadas da música. O trabalho mostra influências de Clube da Esquina, Guilherme Arantes, Beach Boys, Ben Folds e Paul McCartney, seguindo a charmosa sonoridade sessentista e setentista. É o caso do single “Menina do Quintal”, canção feita em parceria com Jardel Muniz; e também notórias inspirações como “Amplificar Sentimentos”, de sua autoria e com influência de Ben Folds.

Outras referências estão na canção “Baby Let’s Go”, que ganha contornos de Rolling Stones, assim como “Visconde de Mauá”, instrumental inspirado em Black Sabbath. A predominância do rock nacional pode ser vista em “Dama da Noite”, que nasceu após um ensaio temático de Paralamas do Sucesso; mas com “Bem Aqui” e “Uma Nova Esperança”, Alan James deixa claro o seu amor pelo Beach Boys.

“Despertar” é um lançamento do selo Discobertas, de Marcelo Fróes, e é uma produção de James e coprodução de Luiz Lopez, que também supervisiona a mixagem; e a masterização é de Vitor Veiga.

Faixa-a-faixa

Por Alan James

Alan James (Crédito: Jardel Muniz)

01 – Baby Let’s Go

Fiz essa canção bastante influenciado pelos Rolling Stones quando estava treinando guitarra usando a mesma afinação aberta que o Keith Richards usava. Fiquei com ela bastante tempo, e em 2015 mostrei os acordes pro meu grande amigo e parceiro Anderson R-VOX, que adorou e criou a letra e a melodia. Além do Anderson fazendo um dueto comigo, tem as participações especiais de 2 grandes amigos stonemaníacos: Luiz Lopez na guitarra base e Daniel Mattos nos slides, além do grande amigo Rike Frainer na bateria e percussão. Quis começar o disco bem pra cima, e essa música mostra bem o meu novo momento.

02 – Uma Estrada Melhor

Foi a primeira música nova que fiz pro disco, influenciado pelas músicas do Gustavo Telles e Os Escolhidos. A letra fala bem do início de um novo relacionamento e do medo de que isso acabe. Essa foi a única música que toquei bateria e nessa conto novamente com o Lopez (dessa vez no violão), além de 2 outros grandes amigos: Daniel Cavalcanti e Danilo Fiani nos backings, sendo que o Danilo ainda toca os slides, que dão um toque country à música. Gostei demais de sonoridade dessa música em particular.

03 – Outro Lugar

Quando decidi compor pro disco achei essa ideia de 2015 no meu celular. Gostei tanto que a completei, foi a mais difícil de escrever. Apesar de falar de um momento tão difícil, de separação, no fim ela vira uma mensagem de esperança e incentivo pra que qualquer um possa mudar uma situação difícil que ache ser impossível. Quis que a música alternasse entre a leveza da esperança e ao mesmo tempo fosse pesada pra refletir a angústia das partes mais dolorosas da letra. Nessa eu conto com Alan Fontenele na bateria (que foi o baterista da maioria das faixas, ex-companheiro de Wagner José e seu Bando e de Luiz Lopez), além do Danilo na guitarra solo.

04 – Menina do Quintal

Como diz o Jardel Muniz (meu parceiro na canção e o fotógrafo da capa do disco e dos singles): a nossa queridinha! Também começou como mais uma ideia de música (provavelmente entre 2013 e 2014) que mandei pro Jardel, que na hora criou a letra e a melodia. Fiz conscientemente influenciado pelos Beach Boys, o arranjo além deles ganhou ares de Clube de Esquina, e acabou pintando mesmo sem querer a influência do Guilherme Arantes! Sempre falamos de gravar essa música. Quando mostrei primeiros incentivadores do disco, de cara achamos que ela deveria ser o primeiro single, por ser a mais diferente de todas. Essa música é muito especial pra mim por diversos motivos. Além do Fontenele na bateria, Danilo e Daniel nos backing vocals, conto com os auxílios luxuosos do grande amigo Vitor Veiga (que mixou e masterizou o disco) nos backings, além de Thiago Kobe no vibrafone.

05 – Bem Aqui

A iniciei em 2005 e terminei em 2006 com meu grande amigo e parceiro Raphael Scherer (com quem tive a dupla Um Mais Um). Sempre gostei dela, pela influência dos Beach Boys na levada meio jazz, e da letra pela mistura de leveza e desespero do início de um relacionamento. Quando comecei a pensar em músicas antigas que gostaria de resgatar, essa veio de cara, só precisei mudar a última frase da música e estava pronta. Tem provavelmente o arranjo mais trabalhado do disco, uma produção da qual me orgulho muito. Além do Rike na bateria e percussão, e do Daniel e do Danilo nos backings (sendo que o Danilo também é o guitarrista), temos mais auxílios luxuosos, dessa vez do Marcelo Cebukin, que além de ter escrito os arranjos de sopros e metais, tocou quase todos esses instrumentos, e do Reinaldo Godoy no trompete. Essa vai ganhar um clipe em breve.

06 – Dama da Noite

Os acordes existiam desde 2012, quando tocava em uma banda de anos 80 e 90, e acabei compondo depois de um ensaio em que tocamos músicas dos Paralamas. Gosto da sonoridade um pouco sombria, mas ao mesmo tempo pra frente, e da letra que fala de alguém que pode só existir em sonhos ou uma realidade que parece não ser possível de acontecer.  Quis deixar o vocal mais atmosférico passando a voz por uma caixa Leslie (de órgão), uma técnica muito usada nos anos 60 e 70 que combinou com essa proposta. Além do Fontenele na bateria, tem o meu grande amigo Mário Vitor em um belo solo de guitarra.

07 – Terno e Eterno

A última música composta pro disco. Fiz em 2016 de uma tacada só, quando estava na casa de um grande amigo, e por sorte havia um teclado bem próximo. Uma balada feita pra Joana (assim como outras canções do disco que falam do início de um novo relacionamento, um novo amor), como uma afirmação do que ela é pra mim e do que nós temos. Fiz bastante inspirado pelas músicas da Carole King, pra mim a melhor compositora e artista mulher do mundo! Além do Fontenele na bateria, do Danilo na guitarra e nos backings e do Daniel Cavalcanti também nos backings, temos mais uma vez o Marcelo Cebukin nos metais (dessa vez arranjados por mim).

08 – Menina do Quintal (Reprise)

Sempre fui fascinado pelas reprises que existem em certos álbuns, e durante a produção do disco tive a ideia de uma reprise de Menina do Quintal mais curta e instrumental, como se fosse um momento pra relaxar e respirar fundo. Além dos instrumentos que já tem na original, acrescentei mais 2 mellotrons, uma paixão minha, pra ajudar a torna-la mais viajante ainda.

09 – Tudo Que Sei

Outra feita especialmente pro disco, bastante influenciado pelo João Donato. Quando o Lopez me mostrou o disco Lugar Comum, fiquei encantado, não parava de ouvir, e foi daí que surgiu esse samba de roqueiro, leve e completamente despretensioso. Quando decidi que caminho iria seguir na vida e decidi por um recomeço, me senti inspirado a escrever sobre a vida nova e o meu novo amor. Além do Fontenele na bateria, tem o Danilo na guitarra e também nos backings junto com o Daniel Cavalcanti.

10 – Amplificar Sentimentos

Eu tinha uma música antiga com esse mesmo nome, completamente diferente. Sempre gostei do título, então criei uma música totalmente nova e só aproveitei o nome. Fiz muito inspirado pelo trabalho solo do Ben Folds, naquela onda do piano conduzindo a música, e animada como as músicas mais pra frente dele. Assim como Terno e Eterno, a letra é uma afirmação de um novo relacionamento, escrita também pra Joana. Provavelmente a canção mais pop do disco, a escolhi pra ser o segundo single antes do lançamento. Além do Fontenele na bateria, temos de novo o Danilo na guitarra e nos backings junto com o Daniel Cavalcanti.

11 – Visconde de Mauá

A segunda instrumental do disco, totalmente influenciada pelo Black Sabbath. O título não foi à toa: eu a compus realmente na cidade de mesmo nome no fim de 2015. Fiz toda de cabeça e estava sem nenhum instrumento por perto, tive que cantar a música toda no celular e só quando voltei ao Rio pude gravar a demo devidamente. Fontenele novamente na bateria com uma pegada que a música pedia, e também o Daniel Mattos nas guitarras.

12 – Uma Nova Esperança

Fiz totalmente influenciado pelos discos setentistas dos Beach Boys, em especial a fase entre 72-73. Por coincidência, soou um pouco como Steely Dan, uma influência bem recente minha. Gosto demais de como essa música se resolveu, tanto em arranjo quanto a letra, que é um monte de pensamentos aleatórios juntos, cujo final deixa em aberto o que será o futuro, seja o meu ou de quem se identificar com a canção e o disco. Rike Frainer na batera mais uma vez, com Danilo Fiani nas guitarras. Depois descobri que havia um filme de Star Wars com o mesmo nome, mas eu ainda não era fã! O título deixa claro que após um momento difícil, tudo que tinha era um novo recomeço, que é o papel desse disco pra mim.