Reinvenção artística do cantor e compositor Dary, o projeto Dario Julio & Os Franciscanos propõe uma viagem ao tempo em sua estreia. Descrito como algo que estaria tocando em uma rádio AM em meados dos anos 70, o projeto marca o começo oficial da carreira solo do artista sul-mato-grossense radicado no Paraná. O primeiro single,  “Como Diria o Poeta”, é uma homenagem ao escritor Manoel de Barros. A faixa ganha um clipe, já disponível no YouTube.

Veja “Como Diria o Poeta”: https://youtu.be/-6Uk4AjKKvk

A música é uma jornada sentimental pelas imagens da infância do compositor para homenagear o poeta pantaneiro e fazer um passeio pela cidade natal de Dary, Corumbá. Essas lembranças inspiraram o artista no álbum “O Menino Velho da Fronteira”, que junta o soft rock, o brega e a MPB radiofônica do início dos anos 1970.

Conhecido pelo seu trabalho com as bandas Terminal Guadalupe e lorena foi embora…, Dary começou a chamar atenção no começo dos anos 2000. Ao lado do Terminal Guadalupe, ele conseguiu o respeito da crítica com sua música cheia de influências pós-punk e crítica social. A banda ganhou, pelo voto popular, o Prêmio Laboratório Pop de Melhor Disco Independente de 2005 com o álbum “VC Vai Perder o Chão”. Em 2007, o disco “A Marcha dos Invisíveis” entrou nas principais listas de melhores álbuns do ano da mídia especializada. O tom politizado das letras mudou de foco, com o compositor buscando resistir em forma de afeto.

“Ainda digo e penso quase as mesmas coisas sobre o mundo e as pessoas, mas o tempo e a vida me fizeram buscar outras palavras”, justifica Dary.

O novo projeto começou a ganhar forças em 2014, quando Dary foi convidado para participar do álbum “Ainda Somos os Mesmos”, tributo ao disco “Alucinação”, de Belchior. A regravação de “Apenas Um Rapaz Latino-americano” foi a primeira de Dario Julio & Os Franciscanos e contou com o apoio decisivo do multi-instrumentista Matt Duarte. No final do mesmo ano, já ao lado de outro multi-instrumentista, Manoel Magalhães, foi convidado para mais um tributo, agora para celebrar os 30 anos da banda Engenheiros do Hawaii“Números” foi a canção regravada.

A partir de 2017, Dary começou a escrever novas músicas e a resgatar composições perdidas, se distanciando do que já havia feito em trabalhos anteriores e focando em revisitar as suas memórias. Assim como o projeto teve sua gênese nos tributos a artistas que marcaram sua trajetória, as músicas que Dary ouvia enquanto crescia serviram de inspiração para o álbum de estreia.

Com a ajuda do guitarrista Bruno Sguissardi, convidado a produzir o material, ele passou a formatar “O Menino Velho da Fronteira”. Além de Dary e Bruno, o disco conta com Ivan Rodrigues (bateria), Marcelo França (baixo), Matheus Bittencourt (guitarra) e Romann (piano e teclado).

Antecipado pelo single “Como Diria o Poeta”, que ganhou vídeo dirigido por Rapha Moraes, o disco de estreia de Dario Julio & Os Franciscanos chega aos serviços de streaming em abril.

Veja “Como Diria o Poeta”: https://youtu.be/-6Uk4AjKKvk

Ficha Técnica:

Gravado no estúdio Toca do Javali, em Curitiba.

Produzido e mixado por Bruno Sguissardi

Masterizado por Jeferson Krul

Dary – voz

Bruno Sguissardi – guitarra, violão e vocais

Matheus Bittencourt – guitarra

Marcelo França – baixo

Romann – piano

Ivan Rodrigues – bateria

Letra

“Como diria o poeta”

(Dary)

Hoje, eu vou bancar o Manoel

E vestir roupa rasgada nas ideias

Te pego às 11 com meu violão

No murinho em frente a Santa Teresa

Aí, a gente vai riscar o céu

As estações serão só primaveras

Tomar você com mate chimarrão

Eu faço disso uma certeza

Hoje, eu vou além da América

Peguei carona com o Seu Narciso

Menino velho da fronteira eu sou

E carrego o sentimento mais profundo

Minha raiz é minha ética

E me deu tudo do que eu preciso

Índio, negro e português, amor

Todas as raças deste mundo

O que aconteceu foi tão particular

Aquele menino, seu destino: Rua Cuiabá

Agora, venha aqui, um beijo em mim

Que a praça vai cantar

Um dia eu fui embora

Um sonho em cada mão

E a pressa de chegar

Mas aprendi que a história

Sempre é construção

Não pare de sonhar

Por isso, volte aqui, um beijo em mim, que eu vou continuar…