Uma sonoridade familiar, que remete às décadas de 80 e 90, embala letras onde se traduzem os anseios e questionamentos modernos. O trio carioca Marsara buscou no passado a linguagem para abordar temáticas universais e atuais, como ansiedade e depressão, nas canções de seu primeiro disco de estúdio. Em meio a ambiências e distorções, “Silêncio/Ruído” traduz a dualidade emocional de quem enfrenta questões de saúde mental. Trilhando a linha entre letargia e intensidade, o grupo mostra seu próprio amadurecimento após os dois primeiros EPs, “No Desencanto de Duras Palavras” e “Münchhausen”, ambos lançados em 2017. O álbum já está disponível nas plataformas de streaming de música.

Ouça “Silêncio/Ruído”: http://smarturl.it/MarsaraSilencioRuido

Confira o faixa-a-faixa abaixo

Iniciada em 2017, a Marsara surgiu com inspirações de bandas como Luna Sea, Misfits e Smashing Pumpkins e foi se tornando um amálgama de referências do rock alternativo e ruidoso dos anos 80 e 90. Essa busca se reflete nos dois primeiros EPs e surge mais experiente no debut, onde a banda compila uma sonoridade mais próxima do shoegaze e um olhar próprio do subúrbio do Rio. O lançamento vem após dois clipes que ganharam notoriedade na mídia especializada e uma de suas faixas (“Minuano e a frente fria depois do calor”) entrando em uma playlist oficial do Spotify, sendo os únicos brasileiros na seleção Novidades Indies.

Assista a “Minuano e a Frente Fria Depois do Calor”: https://youtu.be/C0nqEgQk5Ls

Assista a “Psique”: https://youtu.be/cPTVVeDsdSY

“Esse álbum é algo que queríamos fazer há tempos e nunca conseguimos antes. Muito por conta do tipo de som que queríamos fazer, dentre diversas outras questões pessoais. Pro álbum nascer, pegamos toda a nossa experiência prévia de outras bandas que tivemos, experiências interpessoais e resolvemos fazer um processo de produção diferente do que estávamos acostumados. Somos só 3 pessoas e todo o processo de composição anda muito rápido. Criava ideias, mandava pelo Dropbox pros outros da banda e assim ao chegar no estúdio, tudo ficava muito mais fácil e rápido de finalizar”, conta o vocalista e guitarrista, Ricardo Martins. Além dele, Fábio Korrto (baixo) e Felipe Marques (bateria) completam o power trio.

As canções se iniciaram das angústias e anseios diários vividos por Martins, que as transformou em letras – muitas vezes compostas no transporte coletivo – e, com a ajuda de Marque e Korrto, ganhou arranjos, melodias, linhas de baixo e guitarra. De algo pessoal e íntimo, as canções se tornaram uma construção coletiva que aborda uma vivência tão particular quanto universal.

“Eu tinha uma ideia muito fixa na cabeça que queria falar sobre questões que vivi, mas que não são experiências únicas minhas. Muitas pessoas se veem perdidas com depressão e ansiedade e eu quis imprimir em 11 músicas. Ao todo, criei aproximadamente 30 demos que foram no final se aglutinando, outras sendo descartadas até chegar nessas 11 faixas”, relembra Ricardo.

Foi na Marsara que as múltiplas experiências musicais de Ricardo, Felipe e Fábio se encontraram. A banda surgiu da vontade de explorar uma sonoridade sem barreiras, incorporando influências em comum e trazendo de cada integrante elementos únicos. O resultado é uma personalidade que transparece em cada canção. Urbana e intensa como o subúrbio de suas origens, intimista e minimalista como suas letras, o primeiro álbum da Marsara entrega uma banda disposta a ir além.

A construção desses universos foi facilitada pela internet, que serviu de plataforma de constante troca de arquivos. De certa maneira, “Silêncio/Ruído” ganhou forma muito antes de chegar ao estúdio, graças a ferramentas como Dropbox, Skype e Discord que permitiram uma construção coletiva remota. Finalizando o processo colaborativo, Sérgio Filho (Black Circle, Blind Horse) assina a mixagem e masterização de todo o álbum, trazendo uma visão externa sobre o trabalho. “Silêncio/Ruído” já está disponível em todas as plataformas de música digital.

Ouça “Silêncio/Ruído”: http://smarturl.it/MarsaraSilencioRuido

Tracklist:

  1. Nós
  2. Ansiedade abraça sem pedir
  3. Psique
  4. A tempestade e o oceano
  5. Minuano e a frente fria depois do calor
  6. Letargia
  7. O que reverbera em mim
  8. Solidão = eterno+loop
  9. Eu não sei dançar
  10. 21g
  11. A Cura

Ficha técnica:

Mixagem e masterização: Sérgio Filho

Backing Vocals: Anna Porreca e Isabel Maciel

Vídeo: Fernando Difth e Ronnie Pedra

Direção, edição e finalização dos vídeos: Ricardo Martins

Design: Fábio Korrto e Ricardo Martins

Capa por: Marcelo Araújo

Faixa-a-faixa, por Ricardo Martins:

Nós

A música fala sobre pessoas que te deixam pra baixo numa analogia a uma imagem que veio na minha cabeça, sobre alguém com uma corda amarrada no braço de outra que se joga do alto de um prédio.

Ansiedade abraça sem pedir

Ansiedade foi presente na minha vida por muitos anos e resolvi imprimir numa música angustiante o meu relato sobre sofrer isso por aproximadamente 26 anos seguidos.

Psique

Inspirada em diversas filosofias onde pregam que bem e mal são pontos de vista, Psique é uma música pra quem passa por dificuldades lembrar que um dia o sofrimento passa e tudo volta ao normal, como as ondas do mar.

A tempestade e o oceano

Ser diferente muitas vezes acaba te consumindo, já que o mundo não é muito preparado pra quem é inconformado com o “normal”. Apesar de coragem, dar a cara a tapa é como entrar no oceano ou numa tempestade, algo impossível de sair.

Minuano e a frente fria depois do calor

Essa faixa tem um leve tom nostálgico, pois é um paralelo entre férias de verão da minha infância e ao mesmo tempo fins de relacionamentos.

Letargia

Música sobre depressão e como tem dias que ela te deixa sem sair da cama. Musicalmente quis fazer algo que remetesse a Curve, My Bloody Valentine e RIDE, bem barulhento e de difícil compreensão, como a depressão é.

O que reverbera em mim

Nessa música quis imprimir mais ainda a influência noventista que temos. Talvez tenha me motivado por causa da exposição do Nirvana e artistas da Sub-Pop, mas num geral, a música fala sobre pessoas que só tem a arte pra se expressar e não são ouvidas.

Solidão = eterno+loop

A música “tema” do álbum. Ela propositalmente foi feita pra ter muitos momentos entre silêncio e ruídos com distorções e reverbs. Fala da solidão e como é ruim ficar envolto em pensamentos negativos nesse estágio. Quis dar uma cara The Cure ou Jesus and Mary Chain pra essa música.

Eu não sei dançar

A música mais calma do álbum fala sobre não ter um manual pra vida. Ansiamos por nos tornar adultos e quando chega a hora, não sabemos o que fazer e continuamos com os mesmos problemas de antes.

21g

21g é o falso peso da alma que se acreditava antigamente. A música fala sobre a importância que todo artista tem na vida de alguém. Lembrar que tem sempre alguém que te apoia é algo motivante, então é mais uma música positiva sobre isso.

A cura

A cura foi feita pra ser uma música de cura mesmo. Algo bem brilhante, grandioso pra podermos nos libertar de qualquer mal possível e seguir em frente. Aqui, as inspirações vieram de Explosions in the Sky, E A Terrra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Slowdive, dentre outros.