O cantor e compositor pernambucano Matheus Torreão se mostra em momentos de fragilidade e solidão em meio a uma cultura muito diferente da sua no clipe de “A Morte da Amizade”. A faixa, que dialoga com a maneira que a vida vai nos afastando dos amigos, une sonoridades de um rock setentista com tons de música tradicional japonesa. O clipe, filmado no Japão, conta com uma estética de karaokê.

Veja “A Morte da Amizade”: https://youtu.be/-bqRcbYP9yk

Unindo um lirismo bem humorado com uma sonoridade que se aproxima de uma tropicalidade pop, a faixa faz parte do álbum “Disco de estreia de um jovem recifense que venceu um reality show, mudou-se para a República Independente da Bossa Nova, fez um mestrado acadêmico decididamente irrelevante, teve seu instável talento para comédia contratado pela indústria do sitcom e usou todo o dinheiro que ganhou até aqui para gravar nove canções”. O trabalho, que não deixa espaços para dúvidas em seu nome, foi construído com produção de Guilherme Lirio e Pedro Dias Carneiro (o Vovô Bebê) – para discutir amores modernos, relações de amizade e a sociedade brasileira. O álbum foi um lançamento do selo Sagitta Records e se tornou um dos melhores álbuns de 2018 segundo veículos especializados.

Ouça “Disco de Estreia”: http://bit.ly/DiscoMatheusTorreao

“Acho que ‘A Morte da Amizade’ veio de uma frustração e de uma melancolia acumulada ao longo de anos morando longe da minha cidade natal com o agravante de me pegar várias vezes sendo um péssimo administrador de amizades à distância. Na letra, o eu-lírico se coloca como vítima da relação, mas fazendo jus à realidade de quem tende a falhar miseravelmente na tarefa de retornar ligações, como eu”, reflete Torreão.

O começo da carreira de Matheus foi ao lado da banda conterrânea A Caravana do Delírio, com quem ele gravou os EPs “Glamourosa Comédia Pop” (2009) e “Delirium Tremens” (2011). Mas o artista ganhou projeção nacional ao participar do programa Geléia do Rock, do Multishow. Em 2017, além de divulgar o EP “Compacto”, ele foi um dos colaboradores do “Especial de Ano Todo”, de Clarice Falcão, disponível na Netflix. Como se isso não fosse o suficiente, o cantor também marcou presença na Festa Literária de Paraty (Flip), em uma mesa promovida pela Rede Globo, sobre poesia e música. O canal de TV empregou seus talentos na série de comédia musical “Mister Brau”, da qual participou como roteirista e compositor.

Foi no meio desse processo e de distância do Recife natal que ele compôs a faixa. “A Morte da Amizade” sempre teve o clima oriental como um instrumento irônico, remetendo a uma falsa sabedoria ancestral que saberia como lidar com a vida.

“Essa é uma canção que eu escrevi de forma bem despretensiosa (pra não dizer cínica), mas a reação comovida que várias pessoas próximas tiveram quando ouviram me fez começar a enxergá-la de forma totalmente diferente. Penso que a produção musical e o arranjo também contribuíram bastante pra isso, pois o pessoal foi bastante sensível para evitar que a música caísse num lugar estereotipado. Hoje é uma das minhas faixas favoritas”, revela o artista.

O clipe, dirigido por Isabel Falcão, teve como inspiração o filme “Encontros e Desencontros”, lançado em 2003 e dirigido por Sofia Coppola. Eles buscavam o sentimento de solidão e isolamento presente no filme e causado quando as pessoas se encontram em um lugar totalmente alheio, onde não compartilham dos costumes ou da língua.

“Disse pra Isabel: ‘quero a melancolia de Bill Murray e o sex appeal de Scarlett Johansson’. Vendo o resultado final, acho que o acabei ficando com a melancolia de Scarlett Johansson e o sex appeal de Bill Murray, o que é ainda melhor”, se diverte Matheus.

 

Veja “A Morte da Amizade”: https://youtu.be/-bqRcbYP9yk

 

Ficha-Técnica do Clipe:

Direção e Câmera: Isabel Falcão

Montagem: André Valença

Design de Karaokê: Celso Hartkopf

Tradução Português-Japonês: Google Translator

Produção Executiva: Adriana Falcão

 

Letra:

 

A amizade é como uma flor

Que você tem que regar

Se você não rega a flor

Ela logo murchará

 

E essa flor é como um peixe

Que precisa respirar

Ponha o peixe fora d’água

E ele se debaterá

 

Essa água é o amor e a atenção

Que você se esqueceu de me dar

 

A morte lenta da amizade dói amigo, dói, como dói

 

Mas a flor da grande amizade

É uma planta suculenta

Guarda a água muito tempo

E resiste à morte lenta

 

E essa flor é como uma estrela

Uma estrela do mar

Se lhe resta um só braço

Pode se regenerar

 

Basta só você então estender a mão

Para retornar a ligação

 

A morte lenta da amizade dói amigo, dói, como dói

 

Crédito: Guilherme Guedes

 

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