Negritude e o feminino são destaques do clipe “Invocação às Musas”, de LuKaSH

O período mais trágico da História do Brasil foi a escravidão. Com resquícios que duram até hoje, a cidade do Rio de Janeiro teve importante papel durante esta época, sendo localizado nela o porto onde chegavam os escravos. O local é chamado de Pequena África e é nele que a maioria das das cenas do clipe “Invocação às Musas”, de LuKaSH, se passam. Dirigido por Mariah Teixeira, a equipe do vídeo é uma ode ao poder feminino e à herança cultural dos negros no Rio.

Assista: https://youtu.be/_b2wZGEYC7I

Uma mulher negra olha para o outro lado do mar e começa a sonhar. A mesma cidade que recebeu as Olimpíadas, o mais famoso festival grego e maior evento do esporte mundial, hoje sofre de maus tratos. É a partir dessa concepção de ascensão e queda que as Musas, deusas gregas responsáveis pela iluminação, criatividade e inspiração, se unem para realizar um filme musical. O clipe acompanha o olhar da protagonista, a moradora da Pedra do Sal (RJ), Nederlande Pires, que incorpora essas divindades – assim como a cidade – e permite que corpo e alma sejam atravessados por todos os significados do ser mulher hoje.

Com uma equipe feminina, o vídeo de “Invocação às Musas” conta com a direção de Mariah Teixeira e fotografia de Erica Rocha, ambas provenientes da cena criativa da Paraíba. Já a montagem é de Mariana Bley; a colorista é Tatiana Duarte; além da protagonista, Nederlande Pires. Juntas elas são a personificação das mulheres ligadas à arte e que observam essa cidade que não é mais o que era, porém sonha com um futuro melhor.

“A cidade-mulher, não maquiada, não tornada paisagem, a cidade viva, latente sob as camadas urbanas que maquiam a cidade cartão postal, são cinco mulheres: a diretora Mariah Teixeira, a fotógrafa Erica Rocha, a Montadora Mariana Bley, a colorista Tatiana Duarte e a Musa que é o cavalo que incorpora todas essas mulheres na cidade-mulher, Nederlande, mulher potência, que vive a cidade fora dos padrões dos cartões postais e toda sua hipocrisia ilusória”, conta LuKaSH.

O clipe “Invocação às Musas” é a estreia de Mariah Teixeira na direção. Conhecida por seu trabalho como atriz no teatro de Antunes Filho, com textos de Jô Bilac e direção do amazonense Francisco Carlos, ela teve seu debut no cinema como a protagonista do filme “Baixio das Bestas” (de Claudio Assis), e marcou presença também nos longas “Como Tatuagem” (de Hilton Lacerda) e “Sol Alegria”, cujo lançamento acontece em 2018 tendo Mariah com protagonista e co-diretora – créditos que divide com o pai, o também ator e diretor Tavinho Teixeira. Nos palcos, ela já viveu a jovem Carmen Miranda, na peça de Antunes Filho, como também foi protagonista em diversas peças da Cia. dos Prazeres.

Lukash (Crédito: Sérgio Caddah)

Artista completo, LuKaSH é a persona musical de Lucas Weglinski que no palco mostra as habilidades adquiridas no Terreiro Eletrônico da Rua Jaceguai, o mítico Teatro Oficina Uzyna Uzona. Ingressando no grupo a convite de Zé Celso Martinez Corrêa, LuKaSH rodou o Brasil com peças icônicas, como a montagem de “Os Sertões”. Em 2012, ele fundou a Cia dos Prazeres, com aulas de teatro e arte para os moradores da comunidade. Com a própria companhia, escreveu e dirigiu nove óperas populares, unindo os  moradores do Morro com artistas consagrados do eixo Rio-São Paulo.

O vídeo faz parte do disco “Fogo”, trabalho de estreia do artista e destaque na imprensa especializada. O lançamento do clipe faz parte das últimas ações do álbum lançado em 2016. LuKaSH já prepara o repertório de “Venta”, previsto para o primeiro semestre de 2018.

Assista “Invocação às Musas”: 

Ouça “Fogo”: http://spoti.fi/2zw3Ift