Ouça “Se Quer Aventuras”, álbum de estreia da Contando Bicicletas

O progressivo e o psicodélico se encontram com a MPB no disco “Se Quer Aventuras”, estreia da Contando Bicicletas. O trabalho traz 10 faixas fortes e dinâmicas, com influências na música brasileira contemporânea e alternativa. O disco está disponível em plataformas de streaming e teve produção de Hugo Noguchi (Ventre, SLVDR, Xóõ) e Pedro Tambellini (Mara Rúbia).

Ouça: http://bit.ly/SeQuerAventuras

“Se quer aventuras, volte já pro seu mundo e vá se aventurar”. É a partir do verso da canção “Chave do Olimpo” que o álbum esbraveja. A frase é a poesia perfeita para nomear o disco, pois o tema de sair da inércia e buscar a ação é uma de suas bases temáticas. Cada faixa foi realizada de modo cauteloso, para causar reflexão, e nomear esse compilado de canções sem entregar o pensamento completo para o ouvinte foi um trabalho árduo. Desde “Laboratório” até “Escalafobético”, a banda passou por diferentes ideias até chegar à atual.

“Foi quando estava indo para uma sessão da gravação que fiquei cantando as letras das músicas na minha cabeça até pensar em ‘Se Quer Aventuras’ […] Gostamos muito por ser algo sugestivo, de passar essa ideia de o que os ouvintes devem buscar no disco. É quase a gente chamando as pessoas para ouvirem as músicas. Além disso, achamos que é muito representativo do nosso som mais dinâmico, que tá sempre mudando e trilhando novos caminhos musicais”, conta Luiz Felipe Fonseca.

As 10 faixas do disco mostram uma produção que enaltece a conexão dos integrantes com a música. Na Contando Bicicletas todos cantam e tocam. Além de Luiz Felipe, responsável por voz principal, violão e guitarra (e que também tocou piano no disco), fazem parte Felipe Ribas, baterista e pianista, que assumiu ainda o violino e o órgão; Mateus “Matt” Da Silva, que toca guitarra e sax alto, e da mesma forma gravou com o sax tenor; e Vitor Carneiro no baixo. As canções transmitem a química entre os músicos e foram planejadas muito antes de darem forma ao álbum.

Quase todas as transições entre as faixas foram feitas como parte do processo de composição, assim como a sequência das sonoridades e parte das letras. As músicas se destacam por sua criatividade, em especial o primeiro single “Gavetas”, que fala sobre o processo de autodescoberta, a tristeza e o isolamento. Peça central do álbum, a canção transporta consigo a melancolia de quem se perdeu no meio do caminho e deseja se reencontrar.

Ouça “Gavetas”: http://bit.ly/CBGavetas

Os temas, tanto pesados quanto particulares, refletem a coragem de “Se Quer Aventuras”. As músicas têm cada uma a sua mensagem e funcionam por conta própria. As histórias envolventes guiam o ouvinte pela trajetória do protagonista, se descobrindo, partindo de um lugar fechado para si mesmo e fechado para o mundo, para depois ir lentamente se abrindo para ambos e encontrando vários desafios no amadurecimento.

Contando Bicicletas (Crédito: Pedro Arantes)

“Se Quer Aventuras” foi gravado no Casebre e Studio Verde, e revela o talento do quarteto carioca Contando Bicicletas. A banda foi formada em 2015 e constrói uma sonoridade encorpada pelo rock da década de 70: colorido, nostálgico e, ao mesmo tempo, introspectivo.

Ouça “Se Quer Aventuras”: http://bit.ly/SeQuerAventuras

Tracklist

  1. Cabeça nas Nuvens
  2. Chave do Olimpo
  3. Hora
  4. Prazer, Tempo
  5. Ilhas de Malabar
  6. Gavetas
  7. Mergulhador
  8. Olhos
  9. 19:06
  10. Atrito

Faixa a Faixa, por Luiz Felipe Fonseca

Cabeça nas Nuvens

Essa foi feita como uma música para abrir um disco mesmo. Foi trabalhoso encaixar todas as partes dessa e foi das últimas que aprendemos a tocar. Ela brinca com um eu-lírico muito desligado que não consegue se conectar com outros ou com seus próprios sentimentos.

Chave do Olimpo

É uma das que tocamos desde o primeiro show. O inesperado hit que depois de todo show alguém comenta com a gente que adorou. O clássico “qual era o nome daquela?”. É talvez a música mais simples do disco e uma das mais bonitas. E foi dela que saiu o nome do álbum.

Hora

Além de ter sido nosso primeiro single, foi a primeira dessas que tocamos juntos. Tocamos nós 3 (ainda sem o Vitor) lá na escola de músicos na qual tínhamos aula. Foi um dos pontapés iniciais pra banda, gostamos tanto de tocar juntos que nasceu aí a ideia de continuar. Escrevi a música num carnaval que tinha operado o pé e estava de cama a semana inteira, cantando sobre querer se movimentar.

Prazer, Tempo

Também tocamos desde o primeiro show. A letra é um diálogo entre o homem e o tempo. O homem quer fugir dos efeitos da passagem do tempo, mas o tempo não liga. Não é incomum abrirmos um show com essa.

Ilhas de Malabar

Essa é das músicas mais pesadas, escrevi a letra quando descobri que um parente querido tinha câncer terminal. É sobre encarar a nossa mortalidade cara a cara. Parte do tema instrumental apareceu nos nossos primeiros shows, como uma introdução para Gavetas, mas tinha uma cara bem diferente e bem mais animada. Foi depois que a letra entrou que ficou mais séria. Tem até mais versos que não entraram pra versão do álbum, quem sabe em shows você possa ouvir a versão completa…

Gavetas

Demorei muito para terminar a letra, porque o assunto dela é muito delicado. A música se tornou sobre depressão e sobre um processo de autodescoberta, de análise e de eventual superação. Virou algo muito muito pessoal, sobre momentos de tristeza e o processo de autoconhecimento para aprender a lidar com eles.

Mergulhador

Essa foi o Mateus que escreveu. O interlúdio instrumental. Apareceu bem em cima da hora, já tínhamos gravado quase o disco inteiro quando decidimos tentar gravar essa, gravamos em apenas duas sessões e o arranjo foi feito durante esses dias. Partiu de uma ideia de guitarra que ele tinha, feita especificamente para encaixar nesse lugar da tracklist e fomos preenchendo com uma instrumentação bem diferente do resto do disco. Achamos que ficou bem interessante o resultado.

Olhos

Foi uma das minhas parcerias com o Vitor. Começamos a compor juntos lá na Lost Art, nossa banda antiga. Algo especial acontece quando nos juntamos para compor, algo que eu não poderia fazer da mesma maneira sozinho. A melodia da voz principal foi montada a partir de nós dois batendo palmas em ritmos diferentes e os somando num tema só. A letra fala, em parte, do sentimento de estar o tempo inteiro sendo observado e avaliado nas redes sociais. Da pressão para se expor e buscar aceitação do público que está sempre atento, mas não se importa com você.

19:06

Aprendemos na véspera do primeiro show e sempre foi a mais doida das nossas músicas. Em alguns shows cheguei a pedir desculpas e que não fossem embora por causa dela. Minha atual namorada ficou assustada quando abrimos o primeiro show nosso que ela viu com essa música. A letra fala de se sentir aquém do que é esperado de si. Quem já conhece essa dos shows vai ter uma surpresa agradável ouvindo no disco.

Atrito

Essa além de fechar o disco, costuma fechar os nossos shows. É mais uma parceria minha com o Vitor e é uma música bem especial, que costuma nos deixar bem animados no palco e mexe com a plateia também. Um ótimo ponto final.