Vera Veronika denuncia a chacina da juventude negra no novo clipe, “Genocídios”

Vera Veronika denuncia a chacina da juventude negra no novo clipe, “Genocídios”

A rapper brasiliense Vera Veronika sempre usou sua música como plataforma para discutir a invisibilidade social. No novo clipe, “Genocídios”, não poderia ser diferente. Criado em animação, o vídeo traz à tona a realidade dos brasileiros que vivem à margem da sociedade e são eliminados sem consequências. A produção também funciona com um lyric video e, como em todos os lançamentos recentes de Vera Veronika, oferece a deficientes auditivos a interpretação em linguagem de sinais, feita por Babi Barbosa.

Assista a “Genocídios”: https://youtu.be/N-anr2mRI4U

A música marca presença no DVD “Vera Veronika 25 anos”, lançado em junho em formato físico e em julho digitalmente, mas aparece em versão de estúdio pela primeira vez. Nessa gravação, a artista recebeu a participação especial de Nego Dé, Thiago Jamelão (no refrão), de Flávia Nascimento, com sua gaita e de Junior Cabelera na guitarra.

Na letra, Vera Veronika aborda a morte sistemática de jovens negros no Brasil, uma realidade estampada nos jornais do país e internacionalmente.

“O racismo dói, silencia e apaga nosso povo negro da história, e vem diariamente denunciando o assombroso aumento do número de homicídios da nossa juventude negra e periférica. A música ‘Genocídios’ traz à tona a existência de uma chacina em que a maioria das vítimas são homens, mulheres, transexuais, crianças, jovens, adultos e idosos negros e negras… são moradores de periferias, moradores de centros urbanos, moradores de rua. A música mostra a indiferença social e econômica do país, onde quem está morrendo é o outro, aquele que não tem voz e que está em situação vulnerável”, reflete Vera.

Vera Veronika (Crédito: Tatiana Reis)

Rapper, compositora, mantenedora de abrigo infantil, pedagoga, empreendedora e consultora nas causas de Direitos Humanos, Vera Verônika sempre foi muitas mulheres. Uma das pioneiras no rap nacional e primeira rapper feminina do Distrito Federal, Vera encontrou na cultura do hip hop a força necessária para lutar contra tudo o que parecia injusto. O novo vídeo, que tem direção, animação e edição de Marco Lellis, se une ao recém-lançado “Reciclando Sonhos”, ao álbum “Afrolatinas” e ao clipe “Soul Negra, Soul Livre” (com Ellen Oléria e Hope Clayburn), todos importantes declarações sobre racismo e machismo.

Veja “Reciclando Sonhos”: https://youtu.be/0GafibLSxRw

“O rap significa revolução através da palavra e tento ecoar em busca de mudanças”, explica Vera.

Essa postura e política se reflete no conteúdo do DVD“Vera Veronika 25 anos”. Com forte valorização da cultura negra e do hip hop como um todo, o projeto conta com com um show com 14 faixas e 11 clipes, que reúnem um total de 215 artistas envolvidos.

Assista a “Genocídios”: https://youtu.be/N-anr2mRI4U

Assista ao DVD completo: https://youtu.be/YLBIspkJVbI

Ficha técnica:

Letra: Vera Veronika, Nego DÉ, Thiago Jamelão

Produção Musical: Higo Melo

Arranjos: Higo Melo

Gravada nos Estúdios (Qistudio- DF)

Participações: NEGO DÉ, Thiago Jamelão, Junior Cabelera e Flavia Nascimento

Produção Musical: Higo Melo

Direção, Animação e Edição: Marco Lellis

Roteiro e Direção: Vera Verônika e Marco Lellis

Mixagem e Masterização: Higo Melo

Locação: OZZI – Escola de Áudio Visual

Intérprete voluntária de Língua Brasileira de Sinais: Babi Barbosa

Genocídios – Letra

Por Vera Veronika, Nego DÉ, Thiago Jamelão

A morte sistemática que estampam capas

Realidade injusta causa noticiada

Sumiço misterioso aumento de casos assombroso

Genocídio atribuído ao extermínio de um povo

Graves lesões aliadas a condições de existência

Medidas tomadas pra executar pela aparência

Mais de 20.000 por ano e os casos aumentam mais

Números absurdos em tempos de paz

O Estado brasileiro intencionalmente se omite

Autos de resistência na quebrada persiste

Sombras no olhar cresce o ódio entre os nossos

Razões pra lutar, já tá mais que óbvio

Elite eurocentrista, negligente e racista

Concentra toda a renda e exclui a maioria

O 13 de maio não aboliu seus preconceitos

No dia seguinte de porta pra fora da força interna sobrevivemos

REFRÃO

Pra viver

De sol a sol,

Suor

Pra viver

Dez vezes melhor

O giz ou o fuzil

Quem foi que decidiu

Que pra morrer

Basta minha cor ?

A cada dez jovens mortos sete são negros no Brasil

Suspeito de cor padrão na pátria mãe gentil

Pena de morte imposta aniquilação seletiva

Iniciativa pelo fim da juventude viva

Discurso vazio advindo do executivo

Aos mais vulneráveis nenhum foco político

Inclusão social e ações afirmativas

Versus meritocracia práticas repressivas

Sem dúvidas processo de exclusão eficaz

Aos mais vulneráveis potenciais marginais

Genocídio é simbólico a CPI concluiu

Pretos e pretas meros símbolos sangrando no fuzil

Num cenário de execução não se planeja a vida

Seu caso não comove não interessa à mídia

E a treta qualquer hora vai bater na sua porta

Reaja ou será morto reja ou será morta

REFRÃO

REFRÃO

Pra viver

De sol a sol,

Suor

Pra viver

Dez vezes melhor

O giz ou o fuzil

Quem foi que decidiu

Que pra morrer

Basta minha cor?

Viver, 3x

Racismo institucional no mapa da violência

Execuções sumárias quase sempre vítimas pretas

A desigualdade não é só social

É sistêmica e cultural étnico racial

Homicídios entre nós naturais banais

Violações de direitos julgamentos marginais

A agenda do governo ignora com intenção

Nenhum compromisso com a reparação

REFRÃO

Pra viver

De sol a sol,

Suor

Pra viver

Dez vezes melhor

O giz ou o fuzil

Quem foi que decidiu

Que pra morrer

Basta minha cor ?